A consulta homeopática na psicopatologia da criança : orientações sobre o atendimento

A consulta homeopática na psicopatologia da criança : orientações sobre o atendimento

by ultra maio 24, 2018

A CONSULTA HOMEOPÁTICA NA PSICOPATOLOGIA DA CRIANÇA

No decorrer da prática clínica em homeopatia, deparamos com algumas situações muito comuns que devemos esperar na primeira consulta da criança.

A anamnese deve começar desde a sala de espera, onde observamos o comportamento dos pais (paciência, carinho, se segura a criança ou deixa ela solta, etc.) e da criança (agitação, euforia, calma, choro). É importante o acompanhamento do cuidador/babá (que muitas vezes não são os pais) que podem nos relatar informações importantes sobre o caso.

A seguir, veremos os itens principais a serem observados durante a consulta homeopática da criança.

  1. O motivo da consulta

As razões pelas quais os pais levam seus filhos a uma consulta são diversas, mas estão presentes em uma das três grandes categorias seguintes:

  • Patologia tipicamente crônica: dermatológica (eczema); infecciosa (rinite crônica);respiratória (tosse); alérgica (asma); digestiva (diarreia crônica), etc.
  • Patologia repetitiva. É o caso mais frequente na criança. Por exemplo: otite, rinite, sinusite, bronquite aguda, laringite, alergias (urticária), problemas digestivos.

Nestes dois primeiros casos, durante a consulta, pelo interrogatório, pela observação ou pelo exame, o médico pode evidenciar um problema psicopatológico particular, que deve ser levado em conta na pesquisa do simillimum, com o intuito de melhorar o conjunto dos problemas patológicos.

Porém, pode-se também observar um problema psicológico, origem da doença orgânica constatada.

  • Problema puramente psicológico. Pode tratar-se de um problema social, alimentar ou esfincteriano, de um problema de sono, de uma conduta neurótica ou ainda de dificuldades escolares.
  1. O objetivo da consulta

É obviamente, a melhora do estado da criança e o que nos preocupa no momento em relação ao seu estado psíquico.

Diferentes meios podem ser usados, separada ou simultaneamente: conselhos aos pais e à criança, aconselhar uma consulta ao médico e ao psicólogo. A consulta homeopática, integrando todos esses elementos, tem especificamente por objetivo diagnosticar o medicamento ou os medicamentos do pequeno paciente.

Esta pesquisa do medicamento corresponde à maneira de reagir de cada indivíduo, dá uma importância primordial aos sintomas característicos que lhe são próprios, e que assinalam, em um quadro nosológico, sua maneira pessoal de reagir a uma agressão que pode ser física, tóxica, traumática ou psíquica ou ter múltiplas causas.

  1. O interrogatório

A primeira etapa da consulta homeopática é o interrogatório, evidentemente mais delicado nos bebês e nas crianças pequenas do que na criança grande ou em um adulto. Na realidade, neste caso, o interrogatório, etapa fundamental do ato, não se dirige ao próprio paciente , mas aos seus familiares, geralmente à mãe, algumas vezes acompanhada do pai.

O interrogatório deve ser o menos direto possível. É preciso deixarem a mãe e seu filho falarem na sua própria linguagem e, sobretudo, não sugerir respostas esperadas. As perguntas são feitas de maneira a obter uma resposta sob forma de uma frase completa e não de um simples “sim” ou “não”.

A consulta deve começar com os pais acompanhados dos filhos. Os pais devem, em seguida, serem interrogados sozinhos. A criança, enfim, deve ser ouvida sozinha, sem a presença dos pais.

  1. A observação

A observação constitui um episódio fundamental da consulta. Esta observação começa na sala de espera, continua no caminho do consultório e, sobretudo, no próprio consultório. Ao longo do exame ela fornece preciosas indicações sobre o comportamento da criança: calma, agitada, ansiosa, medrosa, independente ou grudada na mãe, que se esconde atrás de sua poltrona, fica sentada no colo ou, ao contrário, exploradora, irrequieta, mexendo em tudo.

  1. A afecção em curso

O interrogatório deve precisar, num primeiro momento, o motivo ou os motivos da consulta, já que se trata da necessidade inicial da criança ou de seus pais.

5.1 Os sinais de comportamento

São tão importantes que conduziram os pais a marcar a consulta.

  • Afetividade: calma, agitação, ansiedade, emotividade, medo, sensibilidade, timidez, cólera, ciúmes, humor alegre ou triste, inalterável ou variável, reação ao consolo, à contradição, à companhia, às influências exteriores.
  • Intelecto: concentração, inteligência, memória, ideias fixas, obsessões, lentidão ou rapidez de ideias e execução, aproveitamento e rendimento escolar.
  • O sono: calmo, agitado, dificuldade para adormecer, rituais para deitar, posição durante o sono, pesadelos e terrores noturnos, insônias e horários, estado no despertar da sesta, ao se levantar, sonambulismo.

5.2 Os sinais somáticos associados

Independentemente ou não das afecções em curso, e às vezes alternando-se entre elas.

  • O modo evolutivo da afecção: de uma só vez ou em acessos; os tratamentos já começados; sua influência sobre a doença.
  • A etiologia: data dos primeiros sintomas; condições do primeiro acesso; doenças infecciosas (rubéola, coqueluche, gastroenterite aguda); vacinas; mudanças de modo de vida (babá, creche, escola); traumatismos psicológicos (separação, mudança, luto, nascimento de um caçula).
  • Os sintomas gerais subjetivos: reações térmicas ao calor e ao frio (a criança se cobre os descobre? Quer ficar vestida? Tudo isto deve ser interpretado em função dos hábitos familiares, das reações térmicas da mãe e hábitos recebidos pela criança). Sensibilidade sensorial (ruído, luz, toque, dores, odores), sede ou falta de sede; fadiga frequente, contínua ou estenia habitual; reação ao meio ambiente (ao calor ou ao frio, à umidade, à secura, ao clima, à altitude, ao mar, à montanha; modalidade de horários.
  • Os sinais objetivos: suores (importância, extensão, foco, odor), secreções e excreções; tendência a supurações, desejo e obsessão por limpeza ou entrega-se à sujeira.
  • O apetite (desejos e aversões alimentares): apetite normal, saciado rapidamente, gulodice; inapetência, anorexia, sede ou falta de sede; hábitos alimentares; desejo de sal, de açúcar, de doces, de alimentos picantes, de embutidos; aversão ao leite ou à carne; piora com certos alimentos; fome aguda em determinadas horas; tendência a vômitos, diarreias, constipação, estado de trânsito intestinal.
  1. Os antecedentes da criança

Devem ser definidos em função da idade.

  • O desenvolvimento da gravidez: incidentes e doenças sobrevindas durante a gestação; medicamentos ingeridos, em particular antibióticos, corticoides, hormônios; hábitos de vida (repouso, cansaço, viagens) e alimentação da mãe (excesso ou falta, tabaco, álcool); a vivência psicológica, as modificações de humor e caráter.
  • As circunstâncias do parto: termo (prematuro ou pós-maturo); de que maneira: simples, complicado, cesariana, anestesia, analgesia; peso do recém-nascido; apgar; possibilidades de complicações.
  • O período neonatal: tipos de alimentação, apetite, problemas digestivos, curva de peso, patologia infecciosa, vacinas, desenvolvimento psicomotor desde as primeiras semanas (visão, audição, sorriso, reações).
  • A primeira infância: o desenvolvimento pôndero-estatural, fechamento das fontanelas, nascimento dos dentes; aquisições motoras (manutenção da cabeça, posição sentada, em pé); primeiros passos, início da fala, aquisição da higiene; vacinações realizadas e consequências imediatas; afecções anteriores (respiratória, digestiva, urinária, cutânea); terapêutica administrada (antibióticos, corticoides, etc.); antecedente traumático, condições de cuidados (creche e babá), adaptação na escola (choros, dificuldade de separação, resignação ou reação de prazer); comportamento na creche, na escola.
  • A segunda infância e puberdade: outras afecções patológicas e tendências mórbidas; sua independência, sua alternância ou concomitância com a afecção em curso, sua periodicidade; a escolaridade; o comportamento habitual e suas modificações; as atividade extra-escolares.
  • Os antecedentes hereditários e familiares: manifestações patológicas infecciosas, alergias cutâneas, etc.; predisposição familiar (alergia, asma, eczema, O.R.L.).Comportamento dos pais e dos irmãos. Morfologia e constituição dos pais, dos parentes (tamanho, peso, corpulência).
  1. O exame

Praticado com a criança despida , estuda:

  1. A prescrição

A redação da receita é a última parte da consulta. A prescrição homeopática pluralista associa vários medicamentos ordenados segundo alguns critérios.

8.1. O medicamento sintomático

É escolhido pelos sintomas clínicos permanentes ou iterativos do paciente: sintomas locais da doença acompanhados de suas modalidades.

8.2. O medicamento etiológico

Nem sempre pode ser determinado. Está relacionado com o tipo de início (depois de…) ou de circunstâncias desencadeadoras. Em psicopatologia, é particularmente importante conhecer e evidenciar o medicamento etiológico.

8.3. O medicamento do tipo sensível

Está relacionada com a morfologia, com o comportamento da criança e com tendência patológicas.

8.4. O medicamento de terreno individual

É pesquisado pelo estudo dos sintomas atuais que levaram à criança à consulta. Devem se associar à sua reação pessoal e recolocar o episódio patológico presente na evolução reacional do paciente no tempo e no espaço. O medicamento decorre, sobretudo dos modos crônicos, psóricos e sicóticos.

  1. Discernir entre: sintomas da criança e sintomas da família

Muitas situações são circunstanciais e dão indícios de problemas familiares que devem

ser pontuados, como por exemplo, pessoas que fumam em ambientes com crianças alérgicas. Em outras situações ocorre uma projeção de expectativas e ansiedades dos pais, como por exemplo a queixa: “Meu filho não quer comer”, enquanto o mesmo está ganhando peso devidamente.

Tanto na medicina homeopático quanto na homeopática, o bom senso deve imperar, a clínica exerce a soberania e assim conferir se existe de fato uma falta de apetite ou uma necessidade da mãe se ver recompensada ao observar seu bebê tomando três pratos de sopa, uma vez que o metabolismo é individual e o parâmetro está num desenvolvimento esperado.

  1. Conclusão

Ao final desta consulta é precisa saber quais são as possibilidades da Homeopatia. A Homeopatia não pode mudar profundamente o temperamento e o caráter da criança. Por outro lado, tem um papel essencial desde que existam problemas de caráter, “esmagando” toda a parte patológica do caráter afetado e do comportamento para voltar a um estado de equilíbrio psicológico mais jovial, confortável e feliz.

De qualquer forma, não se deve acreditar que a Homeopatia sozinha possa resolver todos os problemas. É preciso que o médico utilize técnicas de psicoterapia, psicomotricidade e acompanhamento do psicólogo ou do psiquiatra infantil.

 

                                                         BIBLIOGRAFIA

 

– Poncet, Jacques- Édouard. “Homeopatia Pediátrica- Psicopatologia”. Editora Organon. São Paulo, 2004.

– Brunini, Carlos R. D.. Homeopatia para crianças. Editora Hipocrática Hanhamanniana.  Belo horizonte, 2009.